AI Max no Google Ads: o que muda na sua conta em 2026
O AI Max é um conjunto de recursos de inteligência artificial que funciona dentro da campanha de Pesquisa do Google Ads. Não é um tipo novo de campanha: é uma camada que pode ser ligada ou desligada. Desde setembro de 2026, o Google passou a migrar automaticamente campanhas que usavam correspondência ampla no nível da campanha ou recursos criados automaticamente.
Essa última frase é a que importa. Se você tem campanha de Pesquisa rodando, alguma coisa já mudou ou vai mudar na sua conta nas próximas semanas — e a mudança não pediu autorização.
O que é o AI Max, na prática
O Google vinha concentrando os recursos de IA generativa dentro do Performance Max. O AI Max é o movimento de levar essa mesma lógica para a campanha de Pesquisa tradicional, aquela que a maioria dos anunciantes usa há anos. Se você ainda não conhece a estrutura básica, vale ler antes como funciona o Google Ads.
Ele reúne três recursos, e cada um pode ser ligado separadamente:
1. Correspondência de termos de pesquisa
O anúncio pode aparecer para buscas que não estão na sua lista de palavras-chave, quando o sistema entende que existe intenção relacionada. Se a conta tem "clareamento dental", o anúncio pode ser acionado por "quanto custa deixar o dente branco". Nenhuma dessas palavras foi cadastrada por você.
2. Personalização de texto
O sistema monta títulos adicionais lendo o conteúdo da sua página de destino, testando combinações que você não escreveu. Ele não inventa: ele extrai do que está publicado na página.
3. Expansão de URL final
O Google pode enviar o clique para uma página diferente da que você configurou, se entender que outra página do site responde melhor àquela busca específica.
Segundo o próprio Google, o pacote completo tende a entregar em torno de 7% mais conversões ou valor de conversão, mantendo CPA ou ROAS parecidos, em comparação com usar apenas a correspondência de termos. É um ganho real — mas é uma média, e média esconde tanto quem ganhou muito quanto quem perdeu dinheiro.
O que é automático e quando
| Quando | O que acontece |
|---|---|
| Setembro de 2026 | Migração automática da correspondência ampla no nível da campanha e dos recursos criados automaticamente. Novas campanhas de anúncios dinâmicos deixam de ser criadas. |
| Fevereiro de 2027 | Migração das campanhas de anúncios dinâmicos de pesquisa (DSA) que ainda estiverem rodando. |
Ou seja: quem usava correspondência ampla em nível de campanha já está dentro. Quem depende de DSA tem até fevereiro para planejar a transição — tempo suficiente para fazer isso com calma, desde que a conta seja revisada agora e não em janeiro.
O que muda no dia a dia da campanha
O volume de impressões sobe. Essa é a primeira coisa que aparece no painel, e é a que engana. Mais impressão não é resultado. Parte desse alcance vem de buscas que você nunca escolheu. Se você ainda confunde métrica de volume com métrica de resultado, vale revisar o guia das métricas de tráfego pago.
O relatório de termos de pesquisa vira o documento mais importante da conta. Antes ele era útil. Agora é o único lugar onde você enxerga o que a IA decidiu fazer com o seu dinheiro. Quem não abre esse relatório toda semana perdeu o controle da campanha sem perceber.
A página de destino passa a escrever o seu anúncio. Se a landing page é específica, clara e bem estruturada, os títulos gerados saem bons. Se ela é genérica, os títulos saem genéricos. O AI Max não conserta página ruim — ele amplifica o que já está lá. É um bom momento para revisar o que faz uma landing page converter.
As palavras-chave negativas mudam de função. Elas deixam de ser um ajuste fino e passam a ser o principal limite que você impõe ao sistema. É a cerca do terreno onde a automação vai correr. Quem nunca montou uma lista estruturada de negativas vai sentir agora. O ponto de partida está em como escolher palavras-chave que geram vendas.
Os três riscos que mais aparecem
1. Orçamento escorrendo por termos fora de contexto. Uma clínica de estética que anuncia "harmonização facial" pode começar a aparecer para quem pesquisa sobre o procedimento por curiosidade acadêmica, não por intenção de agendar. O clique vem, a consulta não. Em contas com orçamento apertado, isso consome a verba do mês antes da metade.
2. Título genérico gerado a partir de página fraca. Se a página de destino fala de tudo um pouco, o sistema vai escrever anúncio sobre tudo um pouco. E anúncio genérico tem CTR baixo, que puxa o índice de qualidade para baixo, que encarece o clique. O efeito é em cascata.
3. O clique caindo na página errada. A expansão de URL final pode mandar quem pesquisou por um serviço específico para uma página institucional. Um artigo antigo do blog pode ter ótimo desempenho orgânico e ainda assim ser o pior destino possível para alguém que pesquisou com intenção de contratar.
Checklist: o que auditar na sua conta esta semana
- Liste quais campanhas foram afetadas. Toda campanha de Pesquisa com correspondência ampla em nível de campanha ou recursos criados automaticamente entrou na migração.
- Anote o custo por conversão de cada uma antes da mudança. Sem esse número, não há como saber se o AI Max ajudou ou atrapalhou. Esse é o erro mais caro: perceber a diferença só no fechamento do mês.
- Revise as listas de palavras-chave negativas. Elas ficaram mais importantes do que eram.
- Abra o relatório de termos de pesquisa toda semana nos primeiros 30 dias, não a cada mês.
- Audite as páginas de destino. Separe as URLs do site em adequadas, duvidosas e inadequadas para receber tráfego pago, considerando a intenção comercial de cada uma.
- Decida sobre a expansão de URL final. Se o site tem muito conteúdo de blog, desligar esse recurso específico costuma ser a decisão mais segura no começo.
- Se puder, rode como experimento. O Google permite teste A/B nativo na plataforma. Comparar é sempre melhor que adivinhar.
Ligar ou desligar?
Nenhum dos três recursos é obrigatório — cada um pode ser ativado ou desativado de forma independente.
Tende a funcionar bem quando: o site tem páginas específicas por serviço, o acompanhamento de conversões está correto, existe volume de dados suficiente para o sistema aprender e alguém olha o relatório de termos com regularidade.
Tende a dar problema quando: o orçamento é pequeno e não sobra margem para aprender, o site tem uma página só para tudo, o rastreamento está mal configurado, ou a conta fica semanas sem ninguém abrir.
A automação não elimina o trabalho de gestão. Ela desloca esse trabalho: menos tempo escrevendo variação de anúncio, mais tempo definindo limites, auditando termos e arrumando páginas de destino. Quanto mais liberdade se dá ao sistema, mais bem desenhados precisam ser os limites dentro dos quais ele vai operar.
O que isso significa para quem não é gestor de tráfego
Se você é dono do negócio e contratou alguém para cuidar das campanhas, a pergunta a fazer nesta semana é simples: quais das minhas campanhas foram migradas para o AI Max, e qual era o custo por conversão delas em agosto?
Se a resposta vier rápida e com número, a conta está sendo cuidada. Se vier vaga, vale entender melhor como escolher quem cuida do seu tráfego pago.
Perguntas frequentes
O AI Max é um novo tipo de campanha?
Não. É uma camada de recursos de inteligência artificial dentro da campanha de Pesquisa que já existe na sua conta. Você continua vendo a mesma campanha, com comportamento diferente.
Posso desativar o AI Max?
Sim. Os três recursos são independentes e podem ser desligados separadamente. O que não dá para evitar é a migração automática — ela acontece primeiro, e o ajuste vem depois.
Meu CPC vai subir com o AI Max?
Não necessariamente. O que muda é a composição do tráfego: mais buscas e mais variadas. A métrica a acompanhar é o custo por conversão, não o CPC isolado.
E as campanhas de anúncios dinâmicos (DSA)?
Não é mais possível criar campanhas DSA novas. As que já existem seguem rodando até a migração prevista para fevereiro de 2027.
Vamos impulsionar o seu negócio?
Agende uma reunião e entenda como estruturamos a captação de clientes da sua empresa com previsibilidade.
Falar no WhatsApp