Médico, dentista, advogado, contador e corretor: o que cada conselho deixa anunciar
Existe uma pergunta que trava campanha antes de ela existir: eu posso anunciar isso?
Quem trabalha em profissão regulamentada convive com uma dúvida que nenhum outro setor tem. E, na falta de resposta clara, o que acontece quase sempre é a decisão mais cara de todas: não anunciar nada.
Este texto resume as cinco regras. A conclusão vale adiantar: nenhum conselho proíbe mídia paga. O que cada um regula é o conteúdo da peça, não o canal.
As cinco regras, em uma tabela
| Profissão | Norma principal | O que mais restringe |
|---|---|---|
| Médico | Resolução CFM nº 2.336/2023 | Promessa de resultado, superlativo, mais de duas especialidades |
| Dentista | Código de Ética Odontológica e Resolução CFO-196/2019 | Antes e depois publicado pela clínica, preço, imagens do "durante" |
| Advogado | Provimento da OAB sobre publicidade | Captação de clientela e mercantilização |
| Contador | NBC PG 01, de 7 de fevereiro de 2019 | Comparação depreciativa e afirmação desproporcional |
| Corretor | Resolução COFECI nº 1.065/2007 | Identificação obrigatória e tamanho mínimo do número do CRECI |
O que todas têm em comum
Apesar de virem de conselhos diferentes, quatro exigências se repetem em praticamente todas.
Identificação profissional na peça. Nome, registro e, quando aplicável, especialidade. É a infração mais comum nas cinco, e a mais simples de resolver.
Proibição de promessa de resultado. Nenhuma delas admite garantir desfecho. Esse é o filtro de texto que você deveria aplicar antes de qualquer outro.
Proibição de superlativo e comparação. "O melhor", "o número 1", "mais que os concorrentes". Todas vedam, em formulações diferentes.
Informar em vez de vender. Todas separam informação de mercantilização e permitem largamente a primeira. É a chave que libera justamente o conteúdo que o Google mais premia.
A camada que quase ninguém considera
Este é o ponto que separa quem leu a norma de quem já rodou campanha no setor.
Estar dentro da regra do conselho não garante que o anúncio vai ao ar. Google e Meta têm política própria sobre saúde, imagem corporal, alegações e categorias sensíveis. Uma peça perfeitamente ética pode ser reprovada na plataforma, e uma peça aprovada na plataforma pode infringir a norma do conselho.
São duas camadas independentes de aprovação. O criativo precisa passar nas duas, e é por isso que conta de profissão regulamentada que começa sem esse cuidado acumula histórico de reprovação antes de ter campanha estável.
O custo de não anunciar
Vale dizer o outro lado, porque ele raramente é calculado.
Enquanto o profissional regulamentado fica parado por medo da norma, quem ocupa o espaço de busca do bairro dele é a plataforma nacional, o marketplace de serviço ou o concorrente que decidiu estudar a regra. A vaga não fica vazia esperando.
E o mais irônico: o conteúdo que a norma mais permite, que é o educativo, é exatamente o que ranqueia melhor. A restrição empurra você para o formato que dá mais resultado orgânico.
O que fazer antes de subir a primeira campanha
1. Leia a regra do seu conselho. Escrevemos um texto para cada uma, com a norma citada e o link para o documento original: CFM, CFO, CFC, CRECI e OAB.
2. Monte um checklist de peça com a identificação obrigatória e as vedações do seu conselho, e passe toda criação por ele. A responsabilidade ética é sua, não de quem produz.
3. Descubra onde a sua operação está hoje. A conformidade é só uma das dimensões que decidem se a campanha vai funcionar. Site, rastreamento, oferta, atendimento e processo comercial pesam tanto quanto, e é isso que o diagnóstico abaixo mede.
Perguntas frequentes
Profissão regulamentada pode anunciar no Google e no Meta?
Pode. Nenhum dos conselhos proíbe o uso de mídia paga. O que cada um regula é o conteúdo da peça, não o canal.
Qual é o erro mais comum em anúncio de profissão regulamentada?
Peça sem a identificação profissional obrigatória. É o que mais gera notificação e é também o mais fácil de corrigir.
Quem responde se o anúncio infringir a regra do conselho?
O profissional, não a agência. Por isso toda peça deveria ser aprovada por ele antes de subir, mesmo quando a produção é terceirizada.
A conformidade com o conselho garante que o anúncio vai rodar?
Não. Google e Meta aplicam política própria, e uma peça dentro da norma do conselho ainda pode ser reprovada na plataforma. São duas camadas independentes.
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